Essas bactérias se adaptaram à vida em seu nariz – e isso pode ser uma boa notícia

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Como uma cidade urbana em expansão, certos bairros do corpo humano sustentam diferentes comunidades de micróbios. E muitos deles são bonzinhos; os micróbios do intestino nos ajudam a digerir os alimentos, por exemplo, enquanto os da nossa língua e pele pode se proteger contra patógenos invasores. Agora, os pesquisadores também encontraram bactérias benéficas em nosso nariz. Esse “microbioma nasal” pode proteger contra inflamação crônica do seio ou mesmo alergias.

O estudo é “uma porta importante” para o reconhecimento das qualidades protetoras das bactérias em uma nova parte do corpo, diz Maria Marco, microbiologista da Universidade da Califórnia, Davis, que não participou do trabalho. “Houve algum trabalho realizado no passado, mas este é o primeiro estudo aprofundado”.

Para conduzir o estudo, pesquisadores co-liderados por Sarah Lebeer, uma microbiologista da Universidade de Antuérpia, foram investigar bactérias no nariz de 100 pessoas saudáveis. Em seguida, os cientistas compararam os micróbios encontrados com os de centenas de pacientes com inflamação crônica nasal e sinusal.

Dos 30 tipos mais comuns de micróbios que a equipe descobriu, um grupo se destacou: bactérias antimicrobianas e anti-inflamatórias, chamadas Lactobacillus. Estes foram até 10 vezes mais abundante no nariz de pessoas saudáveis, os pesquisadores publicam hoje em Relatórios de células.

Os lactobacilos costumam prosperar em áreas pobres em oxigênio, então Lebeer ficou surpreso ao vê-los em um órgão cheio de ar fresco. Mas uma análise mais detalhada revelou que a cepa específica que sua equipe encontrou no nariz humano possui genes especiais chamados catalases que neutralizam com segurança o oxigênio – uma raridade entre outros lactobacilos. “Eles parecem ter se adaptado a esse ambiente”, diz Lebeer.

Sob um microscópio, os pesquisadores também puderam ver pequenos apêndices semelhantes a pelos chamados fimbriae que ancoram as bactérias na superfície interna do nariz. Lebeer acha que os micróbios também podem usar os cabelos para se ligar aos receptores das células da pele dentro do nariz, levando as células a fecharem como um alçapão. Com menos células abertas, alérgenos e bactérias nocivas têm mais dificuldade em entrar nelas.

Mas, por si só, a presença de Lactobacillus em pessoas saudáveis ​​não basta dizer que protege contra doenças, Lebeer admite. Também é difícil testar se os micróbios são protetores em modelos animais, como ratos, que têm narizes muito diferentes.

E alguns especialistas não estão convencidos de que os lactobacilos encontrados pela equipe sejam adaptados exclusivamente ao nariz humano. A boca também abriga milhões de lactobacilos, observa Jens Walter, microbiologista da University College Cork, e estes podem acabar no nariz através de espirros. Os resultados do estudo são “os primeiros passos certos”, diz Walter, mas ele gostaria de ver mais pesquisas para reforçar sua novidade e seus possíveis benefícios.

Por fim, Lebeer espera desenvolver terapêuticas usando probióticos nasais. As condições de sinusite têm poucos tratamentos, e as condições crônicas que devem ser tratadas continuamente aumentam o risco de uma bactéria se tornar resistente aos antibióticos. Introduzir cepas benéficas de bactérias sem genes de resistência a antibióticos seria uma solução de menor risco, diz ela.

Como primeiro passo, a Lebeer desenvolveu um spray nasal contendo o Lactobacillus micróbios que sua equipe isolou. Os lactobacilos colonizaram com segurança os pacientes, sem efeitos negativos.

Fonte: www.sciencemag.org

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